"Ás catro da mañá, nunca se sabe se é demasiado tarde, ou demasiado cedo". Woody Allen







miércoles, 18 de julio de 2018

12 perguntas sobre a provocação da morte antecipada

A Eutanásia é uma questão da estrita esfera da liberdade individual?

Cada um é livre de decidir sobre o destino da sua vida mas isso é diferente de inscrever esse direito como valor geral, força legal e acção do Estado.
Introduzir a possibilidade legal da provocação da morte antecipada não é do estrito domínio das opções ou considerações individuais de cada um, perante as circunstâncias da sua própria morte. Trata-se de uma opção política que transporta a questão para o plano da sociedade, da sua organização e de valores colectivos.

A Eutanásia é um sinal de progresso e modernidade?

Numa sociedade em que o valor e da dignidade da vida humana surgem relativizados em função de critérios de utilidade, de interesses económicos, de responsabilidades e encargos familiares ou de gastos públicos, a eutanásia acrescentaria uma nova dimensão de problemas.
São conhecidas múltiplas expressões de concepções economicistas associadas à sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde e da Segurança Social (basta lembrar a tese de um deputado do PSD sobre a "peste grisalha" associando-a ao envelhecimento crescente da população).
A história conheceu situações de prática da eutanásia sob o pretexto de que "há vidas não dignas de ser vividas".
A preservação e dignificação da vida em vida são os valores que correspondem a uma concepção progressista e humanista.

A dor e o sofrimento físico ou psicológico não são razão bastante para legalizar a eutanásia?

O respeito devido à relação de cada um, directa ou indirecta, perante o sofrimento, não deve ser razão para consagrar na Lei a provocação da morte antecipada. A ciência já hoje dispõe de recursos e conhecimentos para diminuir ou eliminar a dor. O que se impõe é que eles sejam acessíveis e garantidos a todos independentemente da sua condição económica. O que exige que, em alternativa à antecipação da morte, se invista no Serviço Nacional de Saúde designadamente no plano dos cuidados paliativos, incluindo os domiciliários, e nas estruturas de apoio às famílias. A opção não está em precipitar a morte, mas sim assegurar a máxima assistência possível na vida.

Mas não será um direito de cada um a decidir sobre o seu futuro quanto a cuidados médicos que pretenda ter ou dispensar?

Esse direito já está assegurado: no plano jurídico, com o testamento vital, que tem uma validade de 5 anos, salvaguardando assim alterações de opinião, erros de diagnóstico ou mesmo avanços científicos que se verifiquem; no plano da sua decisão individual pelo direito de não se submeter a qualquer tratamento contra a sua vontade.

A consagração em Lei visaria assegurar aos mais pobres o direito a morrer "sem sofrimento" dado que os ricos podem ter acesso à eutanásia no estrangeiro?

O acesso a cuidados que permitam diminuir ou eliminar a dor física ou psicológica não é igual para todos. São exactamente aqueles que têm mais recursos financeiros que podem mais facilmente ter acesso a cuidados paliativos, amplos recursos e avanços médicos e a uma estrutura de apoio. A prioridade de uma sociedade democrática e de progresso deve ser garantir o acesso universal a estes cuidados.
Experiências noutros países demonstram que a legalização da eutanásia tem exposto os mais pobres à pressão directa e indirecta para precipitar a morte.
Os relatos vindos da Holanda, onde a morte antecipada está instituída na lei, dão conta de idosos com maiores rendimentos que emigram para as zonas de fronteira com a Alemanha para evitarem a possibilidade de serem eutanasiados.

É justo prolongar a vida de alguém de forma indefinida e artificial?

A prática médica e os critérios deontológicos, tendo como objectivo primeiro salvar a vida, afastam simultaneamente o prolongamento artificial da vida. Há uma diferença substancial entre não manter artificialmente a vida ou antecipar deliberadamente a morte.

Não se trata como na Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) de cada um ter soberania sobre o seu corpo e dele fazer o que quiser?

A discussão relativa à despenalização da IVG foi feita perante um grave problema social que era o de haver mulheres sujeitas a fazer IVG sem quaisquer condições de saúde ou acompanhamento médico, sujeitas a graves problemas de saúde ou até a morrerem, sujeitas a julgamentos e até condenações por interromperem voluntariamente uma gravidez indesejada. Nada próximo disso está em causa nesta discussão.

Não é possível conceber uma Lei que defenda as pessoas de pressões e apenas permita a eutanásia em situações irreversíveis?

Experiências em países em que a eutanásia é legal mostram uma tendência de alargamento de critérios inquietante, designadamente a crianças, e a patologias do foro mental como a depressão crónica.

A Eutanásia significa um avanço ou retrocesso civilizacional?

Quando os desenvolvimentos da ciência permitem aumentar a esperança média de vida e facultam a expectativa de uma vida com dignidade, se a eles todos tiverem acesso, é um contra-senso que se inscreva como objectivo antecipar a morte. Em oposição aos que inscrevem como objectivo futuro a "morte digna", o PCP inscreve no horizonte da sua intervenção o direito a uma vida digna em que faça sentido vivê-la e não interrompê-la.

Estando de acordo com os argumentos do PCP, onde fica o meu direito individual a decidir?

Uma sociedade assente exclusivamente em direitos individuais é uma sociedade deslaçada, em que os mais frágeis estão mais vulneráveis. Uma sociedade de progresso pressupõe uma concepção de vida colectiva, pressupõe um Estado que não é neutro, que não abandona cada um à sua sorte.

Os cuidados paliativos são ou não decisivos na diminuição ou eliminação do sofrimento?

Os cuidados paliativos garantem a diminuição ou eliminação do sofrimento às pessoas com doença incurável ou em final de vida, assegurando-lhes melhor qualidade de vida.
Uma boa rede de cuidados paliativos irá concorrer para reduzir o número das pessoas que, face ao sofrimento, exprimem o desejo da morte executada a pedido.

É verdade que a eutanásia é uma prática cada vez mais generalizada a nível internacional?

São muito poucos os países onde o suicídio assistido ou a eutanásia foi vertida em lei.
Na generalidade dos países europeus não há legislação sobre esta matéria, são apenas conhecidos 3 casos (Holanda, Bélgica e Suíça) que adoptaram estas práticas. Noutros países onde a discussão foi realizada o resultado foi de não aceitação da despenalização. No caso da França a discussão concluiu pelo reforço dos cuidados paliativos.
Na Ásia não existe conhecimento de legislação adoptada e no continente Americano apenas em 5 estados dos EUA, no Canadá e na Colômbia.

sábado, 7 de octubre de 2017

O mozo de Brooklyn e o mitin de Castelao. Por Manuel Rivas


Por Manuel Rivas

Chámase Danny. Danny Barreto. Naceu e vive en Brooklyn. Para el, Brooklyn é algo máis que un dos grandes barrios de Nova York. É unha especie de nación. Se Castelar dicía que escoitar a lingua galega era como tocar as táboas do berce de Iberia, pois oír falar galego a Danny Barreto, fillo de portorriqueño e de norueguesa, é como tocar as táboas dun novo berce, o dun país de espazo infindo, o da imaxinación.

A achega de Danny Barreto a Galicia ten esa orixe, ese vieiro, esa ponte. A da imaxinación literaria. Falar de Brooklyn é tamén falar dunha ponte célebre. Hoxe hai varias que comunican con Manhattan, mais ponte, o que se di ponte, para a xente só hai unha auténtica, a que leva ese nome, talvez o mellor belvedere do lusco fusco urbano, esa misteriosa paisaxe da hora azul, o enmuxicar da sombra, cando toda a cidade semella suspensa no dilema de matar ou prender as luces, de ir durmir ou soñar esperta.

A primeira feitura desta monumental ponte de Brooklyn data de mediados do XIX. Foi un fito para a enxeñería, cun altísimo orzamento monetario, aínda que o prezo incalculábel foi o pagado en vidas de operarios. Tense escrito en metáfora que a ponte podería estar encofrada con ósos. Moitos deses operarios eran galegos, como lembrou Luís Seoane. Nunha reportaxe publicada en marzo do 2006 polo xornal The New York Times, facíase un percorrido polos estabelecementos, bares e restaurantes, da Atlantic Avenue, que aínda reflectían o que foi unha vizosa toponimia tabernaria, ou talasonimia, xa que falamos de peiraos, de inequívoca orixe galaica: Joe Arozza's, Montero's, Catica's, Veiro's bar... Apuntaba o cronista: "Most had Spanish names because this corner of Brooklyn Heights was all Spanish". Home claro.

Esta ponte tivo que cruzala Castelao o 14 de agosto de 1938. Ademais do Goberno republicano, que fadas levaron a Castelao a Nova York e máis concretamente ao histórico mitin-festival de Ulmer Park en Brooklyn? Pois as fadas ou meigas pertencían ao chamado Frente Popular Antifascista Galego e as Sociedades Galegas Unidas. O acto de Ulmer Park fica aínda na memoria por mor das persoas que mantiveron o fío cos derradeiros mohicanos do exilio. E debeu ser inesquecíbel para quen o viviu aquel domingo 14 de agosto en Brooklyn. O xornal latino La Voz de Nova York publicou unha crónica o 16 de agosto na que se dicía: "La víspera del festival de Ulmer Park, nos anunciaban ya de todas las poblaciones vecinas a Nueva York que la colonia gallega vendría en masa a unirse a sus compañeros de la capital, y el mismo sábado por la noche llegaban ya aquí centenares de coches llenos de madrugadores, que querían hacer acto de presencia en el campo, en las primeras horas de la mañana. Repetimos, que mucho esperábamos, y el cronista conoce lo que son reuniones y fiestas campestres o romerías, pero la realidad fue más, muchísimo más, que cuanto podía esperar aún el más optimista". Da intervención de Castelao, despois de sinalar que provocou "ovaciones enormes", dáse un detalle que pon os pelos crechos: "Fue un discurso hermoso en todos los sentidos. En los últimos minutos de su oración habló a sus paisanos en la lengua vernácula y el entusiasmo se desbordó en este momento, cuando los gallegos oían por primera vez la palabra mágica de un hombre que en la lengua materna sabía narrar la tragedia de la tierra Meiga, con un decir tan llano y tan sublime".

Hai outra crónica, aparecida o 19 de agosto na publicación Frente Popular, editada no mesmo Brooklyn, e comeza así: "Castelao sorprendió a todos el domingo. La enorme concurrencia en Ulmer Park, todos admiradores de Castelao por sus famosas estampas, esperaban ver al artista, al amigo otros y los más al paisano que con su sola presencia había de hacer latir millares de corazones a un ritmo más acelerado. Pero Castelao (...) sorprendió a propios y extraños con la oratoria que, como todo lo suyo, fue original y de un alto valor crítico a los cimientos fascistas de la Península". 

Destes e doutros documentos dedúcese que era moi abondosa daquela a presenza da emigración galega en Brooklyn, en particular, mais en todo a zona portuaria e na cidade de Nova York e tamén no Estado de Nova Jersey e outros limítrofes. A actividade que vai despregar nos Estados Unidos nesas datas Castelao, coa compaña principal de Luís Soto, é dunha intensidade abraiante, que lembra o ritmo final dunha campaña electoral á americana. Filadelfia, Cleveland, Ohio, Niagara Falls, Boston, Newark... Algo que reflicte unha solidariedade moi activa non soamente no mundo emigrante senón nunha parte moi sensíbel da sociedade estadounidense, dende os sindicatos a moitos artistas do estudos cinematográficos de Hollywood. Moitos deles pagarían máis tarde, cando a guerra fría e o macartismo, este compromiso antifascista. Publicouse en Galicia, por Edicións do Castro, un libro imprescindíbel para coñecer as dimensións do apoio social e intelectual, que non dos gobernos, á causa republicana: Stars for Spain (La guerra civil española en los Estados Unidos), de Marta Rey García. É tamén moi recomendábel a consulta do traballo de investigación El exilio de Castelao en Norteamérica (textos y documentos), de Carmen Mejía Ruiz (revista Madrygal, 2004).

A derrota republicana, xunto coa crecente ameaza do fascismo internacional, foi seguida, en moitos casos, da derrota persoal. Mesmo Castelao foi caendo nun desacougo de ánimo, agravado pola decadencia física, que o levou á irritación e ao noxo contra o mundo yankee, e que só atenuou coa arte das súas estampas de Harlem, que amosan non só a sensibilidade antirracista senón tamén a súa talla de artista universal. Outros exiliados, como o noutrora destemido Basilio Alvárez, o bravo crego agrarista, afundiron por completo. Basilio, que morrería en Florida en 1943, botaba a chorar por calquera cousa, mesmo por perder ao dominó. Só se recuperaba cando Castelao lle cantaba unhas coplas tan picantes que "trocaba o pranto en risa".

Danny Barreto, o mozo de Brooklyn, comezou a interesarse pola literatura galega da man do Xoán González Millán, unha das grandes lanternas da cultura galega, unha tremenda perda. Mais na CUNY, na City University of New York, Isaias Lerner e Lia Swartz, sabios, arxentinos e xudeus, continúan a manter o Programa Doutoral do Centro de Estudos Galegos, que encetou Emilio González López. É aí onde está a traballar Danny Barreto, nunha tese que é tamén un feitizo: O medo na literatura galega do século XIX.

Camiño de Brooklyn, Danny fálame do medo en Rosalía, Pardo Bazán e Valle-Inclán. O medo a emigrar. O medo a ficar. O medo a morrer fóra. O medo a morrer dentro. E aínda cantamos unhas coplas picantes pola ponte de Brooklyn para espantar o medo.

*Publicado no xornal EL PAÍS o 14 de novembro de 2008

lunes, 2 de octubre de 2017

A Ponte de Brooklyn. Por Luis Seoane






Derradeiro terzo do século XIX (1870 -1883)

Necesitábanse pra traballar homes rexos
na ponte de Brooklyn. Con unha soldada
de sete dólares por dúas horas de carrexos
de entullos. Soio dúas horas cada xornada
no interior dunha campá de ferro, asentada 
no fundo lamento do río, con ar comprimido 
arredando entrase a iauga na cavada.
A ponte facía Brooklyn a Manhattan cinguido.

Pasábamos pola cámara de comprensión
denantes de entrar na campá de ferro, vaseira
onde despechaban as chaves do ar. Centilación
que facía doer os ouvidos naquela rateira,
que tapábamos pra que non estoupasen coa estraleira,
coma a moitos aconteceulles e coa presión do ar.
A campá era enorme, nescesaria coma buqueira
pra poder os cimentos do ponte de Brooklyn escavar.

Traballábamos silenzosos, espidos deica os cos 
coas pas, as eixadas e coas picarañas, amuados,
gotexando suor, escorrendo na lama, nos terrós,
caíndonos na iauga xiada do río, enlameirados. 
A door facíanos estoura-las testas, mais esmacelados 
axuntábamos moreas de terra, de area, de pedras. 
Folgábamos cada dez minutos, e voltábamos ousados
ao traballo pra ponte de Brooklyn, sen arredras.

Podíamos ficar pra sempre tolleitos e tamén morrer
coma aconteceulle no noso equipo ao compañeiro 
escocés Kirkland sin que o poidésemos acorrer. 
Foi cando saíu depresa ó deixar a campá dianteiro. 
Caíu logo no chan. Estoreceuse nun marterio, 
engruñouse, rebulindo corpo, pernas e brazos, 
alagándose en escumas e sangue. O extranxeiro 
deixou na ponte de Brooklyn os derradeiros azos.

Resistín ese traballo vinte xornadas,
dúas horas cada día na campá encerrado.
Perdín o ouvido nos vinte días. Aosadas
ganei cento-corenta-dólares. Deixeino traballado
pola febre, polas doores, xordo, escuallado. 
Alguén dixo: ¡Ouh, cantos rexos emigrantes sofridos
fican pra sempre baixo as correntes deste río marelado,
pola grande ponte de Brooklyn, orgulo dos Estadoss Unidos!
Esta ponte de aceiro enlevado sobor de Nova York, 
ten millas de roscas, de parafusos, de aceiros.

Érguese sobor do xiado East River esta maior 
ponte, din, do mundo, construído por extranxeiros
emigrantes de Europa. Algús galegos senlleiros
traballamos nel. Un traballo, decían, ben pagado. 
Cento-corenta-dólares. Por uns días fumos buceiros
pra ponte de Brooklyn feito sobor do río abafado.

Un traballo que ninguén resistía un mes, 
moi ben pagado, disque, sete dólares a cotío,
unha grande soldada, sete dólares por ves,
se acadábamos esquiva-la convulsión, o arrepío
producido pola falta de ar, polo noxío
que podía facernos inúteles pra toda a vida. 
¡Era un grande traballo o traballo doentío
da ponte de Brooklyn, baixo a campá descida!

LUÍS SEOANE, Fardel de eisilado, 1952


lunes, 7 de agosto de 2017

Austrian Hospice de Jerusalem


Un dos aspectos máis fascinantes de Xerusalén é a existencia, no seu interior, de distintos "mundos" ou "illas". Camiñando polas súas rúas, tanto da Cidade Vella coma da nova, o visitante pode atoparse con distintos letreiros de centros de estudo ou casas para peregrinos que foron creados polas distintas nacións europeas, dacabalo entre os dous últimos séculos, para a acollida dos seus peregrinos en Terra Santa. Algúns son moi característicos, coma o fermoso Hospicio austriaco de Xerusalén.

Na cidade vella, na esquina da rúa que conduce da segunda á terceira Estación da Vía Dolorosa, atópase a entrada a un gran palacio. Fundado en 1857, o Hospicio austriaco da Sagrada Familia foi oficialmente aberto en 1863. Ate 1918 o Hospicio serviu como residencia para o cónsul de Austria en Xerusalén, que exercía de protector dos católicos. En 1939 o Hospicio foi confiscado polos ingleses por ser unha "propiedade alemá". A mesma casa foi utilizada como prision de luxo para os sacerdotes austriacos, alemáns, italianos e membros de distintas congregacións relixiosas. En 1987 o edificio foi completamente restaurado e, un ano despois, reaberto ao público.

A súa marabillosa cafetería é de estilo marcadamente vienés, é coma entrar nunha auténtica Wiener Kaffeehaus. Nas paredes hai cadros de emperadores e príncipes de outrora. Xunto á máquina do café, na parede hai un fermoso crucifixo do século XVII. Vese que aquí aínda non cederon á febre das lámpadas brancas de baixo consumo. A luz é moi cálida. A atmósfera coa música suave é clásica. O chan, as mesiñas e as cadeiras almofadilladas con bordados vermellos. 

Hai tamén un frondoso xardín que é a parte exterior do café e como remate de luxo unha impresiobante terraza con espectaculares vistas de Xerusalén. Unha viaxe na terra e no tempo en plena capital de Israel.



















martes, 1 de agosto de 2017

Nalgas reaccionarias


Por Ánxel Vence

Allá en la famosamente liberal isla de Ibiza acaban de censurar a los autores de un cartel en el que posaban cuatro señoras con las nalgas al aire. Bastó que la autoridad competente reprochase el carácter “degradante” y “grosero” del afiche para que los dueños del restaurante que se anunciaba lo retirasen de circulación. No es que la libertad de expresión vaya de culo, pero casi. 

Casos como este se han dado desde siempre en España, aunque las razones van variando según las épocas. En tiempos del general Franco, por ejemplo, la censura se ejercía directamente con el loable propósito de velar por la pureza de las costumbres. Cuatro décadas después de aquel régimen vagamente islámico, las nalgas, pechos y carnes en general sufren una parecida vigilancia en nombre de la dignidad de la mujer y de la corrección política. El resultado, no obstante, empieza a ser el mismo. 

Años atrás, una fundación benéfica de Vigo acabó por retirar las invitaciones a cierta gala porque el tarjetón incluía la foto de una joven semidesnuda y, lo que acaso fuera peor, rubia. Al igual que en el lance de Ibiza, las autoridades en materia de Igualdad exigieron –y obtuvieron- la retirada de esa imagen que, a su juicio, mancillaba el decoro de las mujeres al convertirlas en mero reclamo sexual. No era para menos, dado que la mentada señora iba vestida únicamente “con una sábana a modo de túnica que le cubre la mitad del torso”, según el dictamen de los inquisidores. 

Esta estricta vigilancia no deja de evocar las normas que aplicaba el ministro de Información y Turismo Gabriel Arias Salgado. Imbuido de celo casi apostólico, aquel santo varón –que hoy tal vez sería reputado de feminista- no dudó en prohibir la publicación de fotos de trajes de baño “con señora dentro”. Una extraña fórmula de la que se deduce que la señora debería estar fuera del bañador o, mejor aún, no estar. 

Tamaño pudor debió de parecerle exagerado al propio Franco, que sustituyó al pío Arias Salgado por el mucho más liberal Fraga Iribarne. El nuevo ministro levantó la prohibición para llenar las playas españolas de bikinis con suecas dentro. Por entonces no había internet ni memes, pero aun así el ingenio popular ideó un lema al respecto: “Con Arias Salgado, todo tapado; con Fraga, hasta la braga”. 

La obsesión por las bragas y los culos llevó también al gobierno islamista de Turquía a censurar las braguitas de Heidi en un libro de texto escolar. La idea del presidente Erdogan, nuestro socio en la fugaz Alianza de Civilizaciones, era apartar a los niños de los malos pensamientos que llevan al pecado. Y ahí sigue el hombre, poniendo velos y telas a las señoras para proteger su dignidad. 

Aquí no hemos llegado aún al extremo de incomodarnos con la ropa interior de los personajes de dibujos animados, ni a crear una Policía para la Preservación de la Virtud como la que se encarga de azotar los tobillos de las descocadas en Arabia Saudita. Pero todo podría ocurrir, naturalmente. 

Basta con que sigamos manteniendo la conflictiva relación con el sexo y el desnudo que históricamente ha caracterizado a este país, aunque ahora lo hagamos en nombre de elevados principios progresistas. De momento, ya hemos descubierto que los culos son reaccionarios; y las túnicas que dejan ver “la mitad del torso”, intolerables. De los bañadores con señora dentro no dicen nada aún las autoridades competentes. 

sábado, 29 de julio de 2017

Pier Paolo Pasolini, o PCI e Israel


No número 6 do mes de abril de 1967 da revista marxista italiana “Nuovi argomenti”, Pier Paolo Pasolini publicara xa algúns poemas en defensa do Estado de Israel. Posteriormentepublicou tamén unha carta aberta moi polémica daquela nos debates no seo da esquerda italiana. Esquerda esta que tomara maioritariamente unha posición antiisraelí coa que Pasolini discrepaba radicalmente. 

“Compagni, perché non capite?”, preguntábase o cineasta, poeta e comunista italiano. “Camaradas, por que non comprendedes?”. De seguido podedes ler o histórico texto: 

Xuro sobre o Corán que eu amo aos árabes case como á miña nai. Estou en negociacións para mercar unha casa en Marrocos marchar para alá. Ningún dos meus amigos comunistas o faría, por un vello, xa tradicional e nunca admitido odio contra os subproletariados e as poboacións pobres. Ademais, quizais todos os literatos italianos poidan ser acusados de escaso interese intelectual polo Terceiro Mundo: pero desde logo non eu. 

En fin, nestes versos, escritos no 63, como é demasiado fácil observar, concéntranse todos os motivos de crítica a Israel dos que agora está chea a prensa comunista. Vivín, entón, no 63, a situación xudía e a xordana dun lado e o outro da fronteira. No Lago Tiberíades e sobre as beiras do Mar Morto pasei longas horas parecidas unicamente a aquelas do 43, 44: comprendín, por mímese, que é o terror de ser masacrado en masa. Tanto como para ter que expulsar as bágoas no fondo do meu corazón demasiado tenro á vista de tanta mocidade, cuxo destino parecía ser só o xenocidio. Pero comprendín tamén, despois de pasar alí algún tempo, que os israelís non se resignaron a tal destino. (E así, ademais dos meus vellos versos, chamo agora tamén a declarar a Carlo Levi, a quen na noite seguinte ao comezo das hostilidades, dixo que non había que temer por Israel, e que os israelís en quince-vinte días estarían no Cairo). É por tanto desde unha mestura de piedade e de desaprobación, de identificación e de dúbida desde os que nacen estes versos do meu diario israelí. 
Pier Paolo Pasolini en Xerusalén (Israel) no ano 1963
Agora, nestes días, lendo L´Unità sentín a mesma dor que sinto ao ler o máis mentireiro xornal burgués. É posible que os comunistas debas de facer unha elección tan nídia? Non era xustamente esta a ocasión para “escoller con dúbidas” que é a única humana de todas as eleccións? O lector de L´Unità non medraría? Non habería finalmente pensado -e é o mínimo que pode pensarse-, que nada no mundo pode dividirse en dous? E que el mesmo é apelado a decidir sobre a súa propia opinión? E por que, en cambio, L´Unità conduciu unha verdadeira campaña para “crear” unha opinión? Quizais porque Israel é un Estado nado mal? Pero que Estado, agora libre e soberano, non naceu mal? E quen de nós, ademais, podería garantir aos xudeus que en Occidente xa nunca máis haberá un Hitler ou que en América non haberá novos campos de concentración para drogadictos, homosexuais ou xudeus? Ou que os xudeus poderán continuar vivindo en paz nos países árabes? Quizais poida garantir isto o director de L´Unità, ou Antonello Trombadori ou calquera outro intelectual comunista? E non é lóxico que quen non pode garantir isto, acepte, polo menos no seu corazón, o experimento do Estado de Israel, recoñecendo a súa soberanía e a súa liberdade? E que axuda dáse ao mundo árabe finxindo ignorar a súa vontade de destruír a Israel? Isto é, finxindo ignorar a súa realidade. 

Non saben todos que a realidade do mundo árabe, como a realidade de gran parte dos páíses en vías de desenvolvemento - incluída, en parte, Italia - inclúe clases dirixentes, policías, maxistraturas, indignos? E non saben todos que, do mesmo xeito que é necesario distinguir a nación israelí da estupidez do sionismo, tamén é necesario distinguir aos pobos árabes da irresponsabilidade do seu fanático nacionalismo?

O unico modo de ser verdadeiramente amigo dos pobos árabes neste momento non é seguramente axudarlles a comprender a política tola de Nasser, que non digo a historia, senón o máis elemental sentido común, xulgara e condenara. Ou a dos comunistas é unha sede inaciable de autolesionarse? Unha invencible necesidade de perderse, tomando sempre o camiño máis obvio e máis desesperado? De modo que o baleiro que separa aos intelectuais marxistas do partido comunista deba facerse cada vez máis incolmable?

O texto publicouse en “Nuovi Argomenti” numero 6, abril-xuño 1967.

lunes, 17 de julio de 2017

Rusia. Por Joaquín Rábago


RUSIA. Por Joaquín Rábago
Faro de Vigo – 18.07.2017

Hay quienes — y son poderosos— no quieren a Rusia en Europa. Hay muchos a ambos lados del Atlántico que prefieren verla no ya solo como un rival económico, sino como un enemigo. Hay muchos efectivamente que parecen echar de menos aquella Guerra Fría con los dos bloques irreconciliables de cuyo enfrentamiento tanto partido sacaron algunos.

Hay quienes no aceptarán nunca la anexión de Crimea por lo que supone de violación del derecho internacional y de peligroso precedente e insistirán en seguir castigando por ello a Rusia hasta conseguir que suelte supresa. Pero todos ellos se niegan a verlo que con tanta claridad se ve desde el otro lado:una OTAN que no deja de estrechar su cerco en torno a Rusia como si el Pacto de Varsovia no hubiera pasado ya a la historia. No cabe duda de que Rusia ha intentando intervenir una y otra vez en los procesos electorales de algunos de los países de su antigua órbita,pero ¿no lo ha hecho también y de forma continua Occidente? ¿No tuvieron acaso nada que ver los políticos y economistas norteamericanos en la adopción por la Rusia de Boris Yeltsin y demás países del Este de radicales "terapias de choque que tanto sufrimiento causaron a sus poblaciones?

Los medios de Estados Unidos parecen últimamente empeñados en acusar a Rusia de haber ayudado a Donald Trump a robarle prácticamente la Casa Blanca a la demócrata Hillary Clinton. Pero con independencia de lo que hayan podido hacer los rusos, los demócratas se hundieron ellos mismos al optar por la candidata del establishment, de Wall Street y del Pentágono frente a un Bernie Sanders que ponía en cuestión sus intereses.
No hay que negar el morbo que tiene ahora para los medios— y no solo los de EEUU— publicar todo lo relacionado con el supuesto ciberespionaje ruso y la complicidad culpable del en torno de Donald Trump. Lo cual sirve al mismo tiempo para seguir demonizando a una Rusia que se insiste en vereternamente ajena a los valores europeos.


No es cuestión de defender a un autócrata como Vladimir Putin o negar la enorme corrupción allí existente, pero ¿por qué aceptar en cambio la de Georgia o Ucrania por poner solo dos casos entre muchos? ¿O a otros dirigentes igualmente autoritarios que tenemos más cerca como el húngaro Viktor Orban o el polaco Jaroslaw Kaczynski? ¿No estarnos aplicando distinta vara de medir según los casos? Con independencia de la antipatía que nos produzca a muchos la Rusia de Putin, ¿por qué no pensar en que es también el país de Tolstói, de Pushkin,de Gógol,de Pasternak,de Rajmáninov,Prokófiev o Stravinski? Una Rusia en definitiva europea, que es la que queremos.

lunes, 10 de julio de 2017

20 anos do asasinato de Miguel Angel Blanco


Hai hoxe 20 anos nos que 48 horas contadas contrarreloxo, puxeron o clímax á consubstancial inhumanidade do terrorismo de ETA.

48 horas brutais dunha infame tortura colectiva que nada tivo que envexar dos actos máis macabros do actual terrorismo de ISIS.

Xustiza histórica... foron dous disparos os que mataron a Miguel Angel Blanco e foron eses dous mesmos disparon os acabaron con ETA.


Unha aperta Miguel Angel Blanco